terça-feira, 17 de agosto de 2010

Aceitação



Por que te inquietas nas noites, 
e perdes teu sono sagrado,
pensando, sofrendo as dores 
de ser diferente do sonho
que um dia sonharam pra ti? 
Quem foi que  em ti colocou
o anseio de ser sempre amado,  
aceito,  bem visto, adorado,
vivendo um papel encenado
tentando esconder quem tu és?
Desde pequeno anciavas
em sempre  agradar aos teus pais, 
se sobressair aos irmãos,
que sempre fizerem de ti
não mais que uma sombra sem vida 
que passa mas nunca é vista
nos cantos da solidão.
Hoje, o tempo passou
mas marcas ficaram  em ti, 
não sabes sofrer rejeições,
não sabes errar e sorrir.
Precisas tentar ser perfeito
tarefa demais cansativa
então vais levando a vida, 
mantendo aberta a ferida, 
de quem de si mesmo esquece, 
buscando o elogio que aquece 
o teu coração tão carente 
de um pouco de aceitação.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Inocência






















Dança à frente do espelho


sonha com um dia melhor.


Seus seios firmes,


a inocência em flor,


quanto valerá?


Aquele gringo diz que pagará


uma boa grana


pode te tirar do drama


da miséria da vida que tens.


Pinta o rosto vai à luta


quem pode te chamar de puta?


Seu sorriso infantil


seu jeito de criança,


não há como ocultar.


São muitas suas necessidades


a mídia lhe encheu de futilidades.


Quem somos nós pra julgar?


A sociedade


que falhou em te ajudar.



quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um lamento






Em meu ventre você pulsava
mesmo que não te sentisse
sabia que estava lá.
Com você eu já sonhava
te imaginava em meu seio
da fome a se saciar.
Mas meu útero hostil
rejeitou sua presença
em mim restou o vazio
e uma mulher que lamenta
o filho que nunca existiu.




sábado, 17 de abril de 2010

Carta à Cora



Assim vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Cora Coralina
Querida Cora, lembro como se fosse hoje meu primeiro contato com sua obra. Suas palavras simples e belas me cativaram imediatamente. A forma como escreveu sobre seu dia a dia, o fogão, a terra, me enterneceram. Um dia porém ainda muito jóvem li o poema transcrito acima. Me senti triste.Por que uma pessoa tão especial deveria aceitar " as limitações de sua condição de mulher"? Não entendia. Nas entrelinhas eu lia " tive que me resignar à minha condição de mulher, aprender a viver com ela".Que mundo injusto, que tempo rude, que vida difícil.Eu era tão ingênua Cora.  Acreditava que por ter nascido num outro tempo não passaria por essas coisas. Viveria de igual pra igual com qualquer pessoa, fosse homem ou mulher. Quanta tolice!Lamento mas te digo que do seu tempo pro meu pouca coisa mudou.Sim, hoje temos carreira profissional, mas pra isso perdemos a infância de nossos filhos, e as vezes esperamos tanto para tê-los que não os temos mais.Chegamos em casa exaustas e temos tudo nos aguardando: Casa, filhos, marido, refeição, cama. Passamos o dia fora mas nossas "obrigações de mulher" estão em casa à nossa espera.Somos culpadas por quase tudo, desde um filho que se revolta até um marido que nos abandona, afinal ambas as situações se deram por vivermos sempre cansadas, estressadas ou ausentes.E nossos erros sentimentais ou morais? Esses continuam sendo os piores. Ainda somos estigmatizadas e carregamos nos ombros pela vida toda qualquer erro moral que cometamos, sem que ninguém se importe com nossos motivos. Esperar o que? Quem são nossos juízes?É uma pena Cora, mas ao que parece, para nós mulheres, todo tempo será rude, e sempre teremos que aprender a viver com lutas e pedras.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Promessa ( Fátima Guerra)




Promessa
***
(Fátima Guerra)
***
O amor será nosso entardecer
um pôr-do-sol a cair no mar
e então virá nossa noite azul
com estrelas que
brilharão tão lindas.
***
No meu olhar, eu te abrigarei
num beijo teu, eu me encontrarei
e o tempo então vai testemunhar
nosso amor
que jurou não acabar.
***

Postei esse lindo poema em homenagem ao meu marido. Incrível como ao ler as belas palavras de Fátima Guerra, percebi que nelas havia tudo o que queria dizer e até então não encontrava as palavras.
Querido amor
" ...o tempo então vai testemunhar nosso amor que jurou não acabar"
Te amo!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Até quando

Até quando?

Negarei que vivo triste, fingirei que nada existe
até quando?


Nossas bocas encontrarão outras, aumentando a saudade louca
até quando?


Seu orgulho seguirá vencendo, vendo nossos corações morrendo
até quando?


Me responda meu amor
até quando?


Te prometo
estarei esperando.


Mas preciso saber,
até quando? 

quarta-feira, 31 de março de 2010

Não..sim

Não, não fale
dispenso as palavras
apenas me olhe
com seu olhar de candura
me mostre toda a ternura que eu sei
sim, amor meu, eu sei
você sente por mim.


Não, não se desculpe
toda mágoa se perdeu
quero o calor do teu corpo
junto ao meu
sim, alma minha, sim
eu te esperava.


Não, não vamos nos preocupar
foram muitos desenganos
mas seu respirar ofegante
não me deixa duvidar
do teu amar
sim, sonho meu, sim
continuo a te adorar.

Não, não tenha medo
sentimos algo tão profundo
não há palavra no mundo
que possa descrever
mas nossos corpos unidos
me fazem crer
sim, vida minha, sim
você é o meu viver.