nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas
e. e. cummings
Nunca, nunca senti que havia alcançado um coração de forma tão profunda como senti nesse momento.
Tínhamos estacionado o carro numa praça e de repente enquanto conversávamos me disse que eu o lembrava de uma poesia que ele tinha visto num filme do Wood Allen.
Começou então a soltar as palavras da poesia como se as tivesse guardado, esperando a pessoa certa para dizê-las...
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
sábado, 23 de janeiro de 2010
O ombro amigo chamado "prozac"
Sabe aquele momento em que as dores do mundo estão nas nossas costas? Pois é, hoje me senti assim. Chorei só mas não foi suficiente, precisava dividir com alguém.
Já me acostumei a ser incompreendida pelos mais próximos. Normalmente não vêm motivo pras minhas queixas muito menos pro meu choro, então tenho poucos a quem recorrer. Hoje aos prantos, tentei o colo mesmo que distante de alguém especial.A era digital nos aproxima e nos afasta ao mesmo tempo...
Internet, indisponível
Celular, caixa postal
MSN, sem resposta
Abri o armário e lá estava ele, sempre pronto, disponível e disposto, meu amigo que pra tê-lo basta uma receita médica.
Vinte minutos depois estava bem, mas não posso negar o vazio, a falta de ter alguém de verdade pra dividir o fardo.
Comprimidos não afagam, nem secam nossas lágrimas, mas ainda assim...basta abrir o armário.
Já me acostumei a ser incompreendida pelos mais próximos. Normalmente não vêm motivo pras minhas queixas muito menos pro meu choro, então tenho poucos a quem recorrer. Hoje aos prantos, tentei o colo mesmo que distante de alguém especial.A era digital nos aproxima e nos afasta ao mesmo tempo...
Internet, indisponível
Celular, caixa postal
MSN, sem resposta
Abri o armário e lá estava ele, sempre pronto, disponível e disposto, meu amigo que pra tê-lo basta uma receita médica.
Vinte minutos depois estava bem, mas não posso negar o vazio, a falta de ter alguém de verdade pra dividir o fardo.
Comprimidos não afagam, nem secam nossas lágrimas, mas ainda assim...basta abrir o armário.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Haiti castigado por Deus?
Hoje li algumas idéias de um blogueiro chamado Julio Severo sobre o terremoto no Haiti. Não bastasse ser esse um dos países mais pobres do mundo com 80% da população abaixo da linha da pobreza (isso antes do terremoto), os haitianos ainda devem carregar, segundo Julio Severo, o título de amaldiçoados por Deus, o que quer dizer que tudo o que lhes acontece é por culpa própria, ou melhor por culpa da religião vodu a qual seguem.
Intrigante é saber que desde 1492 o Haíti sofre intervenções de países cristãos.
Foi invadido pela Espanha, foi colônia da França durante 97 anos, e mais recentemente teve seu território controlado pelos EUA.
O que houve durante esse tempo? Esses países esqueceram-se de cumprir a evangelização, prática das mais importantes dentro do cristianismo?
Se praticaram, o que aconteceu? O Espírito de Deus não foi capaz de convence-los de seus pecados e convertê-los de seus maus caminhos?
Essas questões históricas me afligem e me aflige ainda mais pensar que Deus colocou a "salvação" do Haiti em mãos tão incompetentes...
Intrigante é saber que desde 1492 o Haíti sofre intervenções de países cristãos.
Foi invadido pela Espanha, foi colônia da França durante 97 anos, e mais recentemente teve seu território controlado pelos EUA.
O que houve durante esse tempo? Esses países esqueceram-se de cumprir a evangelização, prática das mais importantes dentro do cristianismo?
Se praticaram, o que aconteceu? O Espírito de Deus não foi capaz de convence-los de seus pecados e convertê-los de seus maus caminhos?
Essas questões históricas me afligem e me aflige ainda mais pensar que Deus colocou a "salvação" do Haiti em mãos tão incompetentes...
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Um pouquinho de clarice...
Ajudai-me, eu só tenho uma vida e essa vida escorre pelos meus dedos e encaminha-se para a morte serenamente e eu nada posso fazer e apenas assisto o meu esgotamento em cada minuto que passa, sou só no mundo, quem me quer não me conhece, quem me conhece me teme e eu sou pequena e pobre, não saberei que existi daqui a poucos anos, o que me resta para viver é pouco e o que me resta para viver no entanto continuará intocado e inútil, por que não te apiedas de mim?, que não sou nada, dai-me o que preciso, deus, dai-me o que preciso, e não sei o que seja , minha desolação é funda como um poço e eu não me engano diante de mim e das pessoas, vinde a mim na desgraça e a desgraça é hoje, a desgraça é sempre (...)
Clarice Lispector
Clarice Lispector
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Dá, dá...
Em um provérbio bíblico diz que a sangue suga teve duas filhas e seus nomes eram Dá e Dá.
É impressionante mas mesmo tendo apenas uma filha em períodos de férias passo o dia a beira do fogão, pia ou tanque, e pra piorar ouço o tempo todo dá, dá, dá.
Mãe me dá meu café, meu biquini minha toalha.
Mãe me dá um sabonete, uma roupa seca, um lanchinho.
Me dá outro biquini e outra toalha, quero voltar pra piscina.
Dá outra roupa seca e meu almoço.
E assim vai com tantas trocas de roupa e tantos lanchinhos no dia só mesmo fazendo um tour da pia pro fogão do fogão pro tanque, aff...
E chamam isso de férias.
É impressionante mas mesmo tendo apenas uma filha em períodos de férias passo o dia a beira do fogão, pia ou tanque, e pra piorar ouço o tempo todo dá, dá, dá.
Mãe me dá meu café, meu biquini minha toalha.
Mãe me dá um sabonete, uma roupa seca, um lanchinho.
Me dá outro biquini e outra toalha, quero voltar pra piscina.
Dá outra roupa seca e meu almoço.
E assim vai com tantas trocas de roupa e tantos lanchinhos no dia só mesmo fazendo um tour da pia pro fogão do fogão pro tanque, aff...
E chamam isso de férias.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Que mulher resiste...
O Amor
Pequena rosa
as vezes diminuta e nua
parece que numa mão minha cabes
que assim te vou fechar
e a ti levar á minha boca
Mas de repente
meus pés tocam teus pés
e minha boca teus labios
crescentes sobem teus ombros
como duas colinas
teus seios passeiam por meu peito
meu braço mal alcança
a delgada linha de lua nova
que tem tua cintura
No amor como água de mar te derramaste
meço somente os olhos mais extensos do céu
E me inclino à tua boca para beijar a terra
Pablo Neruda
Pequena rosa
as vezes diminuta e nua
parece que numa mão minha cabes
que assim te vou fechar
e a ti levar á minha boca
Mas de repente
meus pés tocam teus pés
e minha boca teus labios
crescentes sobem teus ombros
como duas colinas
teus seios passeiam por meu peito
meu braço mal alcança
a delgada linha de lua nova
que tem tua cintura
No amor como água de mar te derramaste
meço somente os olhos mais extensos do céu
E me inclino à tua boca para beijar a terra
Pablo Neruda
domingo, 10 de janeiro de 2010
Pablo Neruda
Quem morre?
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda
sábado, 9 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Sobre mim
Tenho 35 anos, uma filha de 09 e 09 anos de casada, isso mesmo me casei faltando 04 meses para nascer Isabella minha filha.
Já fui mulher independente, dona de casa e mãe em tempo integral, também provei a jornada dupla.
Tem dias em que me sinto bela, atraente, em outros um lixo gordo e ignorante.
Acordo me achando a melhor mãe do mundo, durmo pensando que minha filha terá problemas psiquiátricos e a culpa é toda minha.
Tento ser amante ardente mas as vezes acho que no máximo faço um favor ao meu marido.
Lua e sol, água e vinho, neurótica e normal...essa sou eu.
Já fui mulher independente, dona de casa e mãe em tempo integral, também provei a jornada dupla.
Tem dias em que me sinto bela, atraente, em outros um lixo gordo e ignorante.
Acordo me achando a melhor mãe do mundo, durmo pensando que minha filha terá problemas psiquiátricos e a culpa é toda minha.
Tento ser amante ardente mas as vezes acho que no máximo faço um favor ao meu marido.
Lua e sol, água e vinho, neurótica e normal...essa sou eu.
Ser livre
Ser livre é ter o pleno direito de ir, vir, se expressar e sobretudo viver com dignidade, sem que paire sobre nós a sombra da desconfiança.
Poesia de mulher...
Saber Viver
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
Cora Coralina
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
Cora Coralina
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