terça-feira, 17 de agosto de 2010

Aceitação



Por que te inquietas nas noites, 
e perdes teu sono sagrado,
pensando, sofrendo as dores 
de ser diferente do sonho
que um dia sonharam pra ti? 
Quem foi que  em ti colocou
o anseio de ser sempre amado,  
aceito,  bem visto, adorado,
vivendo um papel encenado
tentando esconder quem tu és?
Desde pequeno anciavas
em sempre  agradar aos teus pais, 
se sobressair aos irmãos,
que sempre fizerem de ti
não mais que uma sombra sem vida 
que passa mas nunca é vista
nos cantos da solidão.
Hoje, o tempo passou
mas marcas ficaram  em ti, 
não sabes sofrer rejeições,
não sabes errar e sorrir.
Precisas tentar ser perfeito
tarefa demais cansativa
então vais levando a vida, 
mantendo aberta a ferida, 
de quem de si mesmo esquece, 
buscando o elogio que aquece 
o teu coração tão carente 
de um pouco de aceitação.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Inocência






















Dança à frente do espelho


sonha com um dia melhor.


Seus seios firmes,


a inocência em flor,


quanto valerá?


Aquele gringo diz que pagará


uma boa grana


pode te tirar do drama


da miséria da vida que tens.


Pinta o rosto vai à luta


quem pode te chamar de puta?


Seu sorriso infantil


seu jeito de criança,


não há como ocultar.


São muitas suas necessidades


a mídia lhe encheu de futilidades.


Quem somos nós pra julgar?


A sociedade


que falhou em te ajudar.



quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um lamento






Em meu ventre você pulsava
mesmo que não te sentisse
sabia que estava lá.
Com você eu já sonhava
te imaginava em meu seio
da fome a se saciar.
Mas meu útero hostil
rejeitou sua presença
em mim restou o vazio
e uma mulher que lamenta
o filho que nunca existiu.




sábado, 17 de abril de 2010

Carta à Cora



Assim vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Cora Coralina
Querida Cora, lembro como se fosse hoje meu primeiro contato com sua obra. Suas palavras simples e belas me cativaram imediatamente. A forma como escreveu sobre seu dia a dia, o fogão, a terra, me enterneceram. Um dia porém ainda muito jóvem li o poema transcrito acima. Me senti triste.Por que uma pessoa tão especial deveria aceitar " as limitações de sua condição de mulher"? Não entendia. Nas entrelinhas eu lia " tive que me resignar à minha condição de mulher, aprender a viver com ela".Que mundo injusto, que tempo rude, que vida difícil.Eu era tão ingênua Cora.  Acreditava que por ter nascido num outro tempo não passaria por essas coisas. Viveria de igual pra igual com qualquer pessoa, fosse homem ou mulher. Quanta tolice!Lamento mas te digo que do seu tempo pro meu pouca coisa mudou.Sim, hoje temos carreira profissional, mas pra isso perdemos a infância de nossos filhos, e as vezes esperamos tanto para tê-los que não os temos mais.Chegamos em casa exaustas e temos tudo nos aguardando: Casa, filhos, marido, refeição, cama. Passamos o dia fora mas nossas "obrigações de mulher" estão em casa à nossa espera.Somos culpadas por quase tudo, desde um filho que se revolta até um marido que nos abandona, afinal ambas as situações se deram por vivermos sempre cansadas, estressadas ou ausentes.E nossos erros sentimentais ou morais? Esses continuam sendo os piores. Ainda somos estigmatizadas e carregamos nos ombros pela vida toda qualquer erro moral que cometamos, sem que ninguém se importe com nossos motivos. Esperar o que? Quem são nossos juízes?É uma pena Cora, mas ao que parece, para nós mulheres, todo tempo será rude, e sempre teremos que aprender a viver com lutas e pedras.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Promessa ( Fátima Guerra)




Promessa
***
(Fátima Guerra)
***
O amor será nosso entardecer
um pôr-do-sol a cair no mar
e então virá nossa noite azul
com estrelas que
brilharão tão lindas.
***
No meu olhar, eu te abrigarei
num beijo teu, eu me encontrarei
e o tempo então vai testemunhar
nosso amor
que jurou não acabar.
***

Postei esse lindo poema em homenagem ao meu marido. Incrível como ao ler as belas palavras de Fátima Guerra, percebi que nelas havia tudo o que queria dizer e até então não encontrava as palavras.
Querido amor
" ...o tempo então vai testemunhar nosso amor que jurou não acabar"
Te amo!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Até quando

Até quando?

Negarei que vivo triste, fingirei que nada existe
até quando?


Nossas bocas encontrarão outras, aumentando a saudade louca
até quando?


Seu orgulho seguirá vencendo, vendo nossos corações morrendo
até quando?


Me responda meu amor
até quando?


Te prometo
estarei esperando.


Mas preciso saber,
até quando? 

quarta-feira, 31 de março de 2010

Não..sim

Não, não fale
dispenso as palavras
apenas me olhe
com seu olhar de candura
me mostre toda a ternura que eu sei
sim, amor meu, eu sei
você sente por mim.


Não, não se desculpe
toda mágoa se perdeu
quero o calor do teu corpo
junto ao meu
sim, alma minha, sim
eu te esperava.


Não, não vamos nos preocupar
foram muitos desenganos
mas seu respirar ofegante
não me deixa duvidar
do teu amar
sim, sonho meu, sim
continuo a te adorar.

Não, não tenha medo
sentimos algo tão profundo
não há palavra no mundo
que possa descrever
mas nossos corpos unidos
me fazem crer
sim, vida minha, sim
você é o meu viver.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Cuidado

Não sou a chuva mansa
sou pura tempestade 
que cai sem piedade
e traz caos à cidade
no meio da semana.

Não sou tão educada
sou muito insistente 
até inconveniente
se tenho algo em mente
não desisto por nada.

Por isso não se engane
com esse meu sorriso
ou eu te enfeitiço
em ti dou um sumiço
e provo do teu sangue.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Poesia no olhar


Estes são Afonso e Matilde, amigos do poeta Antonio Veiga.
Seus olhares são pura poesia...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ressentimento


Seu ódio machuca minh'alma
Espinho é o seu desprezo
Sei que foi grande meu erro
Mas que poderia fazer?

O amor nos tira a razão
A dor nos leva à loucura
Perdemos até a doçura 
Que tínhamos no coração

O ressentimento é tão forte
Dói mais do que faca afiada
Entrando no peito aos poucos
Que fere mas não leva à morte

Os sonhos se foram, partiram
Sobraram só desenganos
Perdidos provocamos danos
Naqueles que um dia amamos



terça-feira, 23 de março de 2010

Um cafézinho



Uma das minhas neuras está no fato de não me sentir amada. Por mais que meu marido faça, ou diga, bem lá no fundo sinto que não é verdade.
As pessoas têm formas diferentes de manifestar o que sentem e as vezes não ouvimos o que nos é dito, por não termos a sensibilidade para traduzir devidamente as palavras.

Todos os dias meu marido acorda antes de mim, prepara o café (adoro o café dele), chega de mansinho na porta e me pergunta "Vai tomar café?".Mesmo que esteja muito cansada não resisto àquele perfume, me levanto e tomo o café que ele preparou.

Ontem ao conversarmos percebi que na verdade ele não prepara o café, ele ME prepara o café, e ao me perguntar se vou tomar café,  na verdade quer dizer fiz o SEU café, porque sei que você gosta e quero desde a manhã fazer o que te deixa feliz.

Hoje ao sentir o cheirinho do café ouvi em sussurro "eu te amo".
Ao vê-lo à porta como todos os dias não ouvi a pergunta de sempre mas ouvi "eu te amo"
E a cada gole de café tomado sentia que era amada, e o quanto aquele gesto simples e cotidiano é especial.

As vezes nos faltam olhos, ouvidos e até nariz para sabermos que a pessoa com quem dividimos a vida realmente nos ama...

Livre

Fugir sem sair do lugar
Sumir sem deixar de ser vista
Andar com passos tão leves
Que ninguém a minha volta os percebam


Sentir, sentir livremente
Sonhar quebrando as barreiras do tempo
Viver como se nada mais importasse
Pensar, simplesmente pensar
E fazer dos meus delírios minha razão de viver

segunda-feira, 22 de março de 2010

Temperos e afetos

(imagem do filme "Como água para chocolate")
Aromas, sabores, temperos
E muito carinho agregado
Com dedicação se prepara
Presentes a quem é amado


Cada gesto tem sua importância
Não deve ser feito ao acaso
Não pode ser menos que o afago
Entregue a quem se quer bem


Com quem desejamos partir
O pão, o vinho, os sonhos
A vida, o corpo, delírios
A taça daquilo que somos


domingo, 21 de março de 2010

Recebi esse texto de Luis Herrera, gostei muito e o transcrevo aqui.

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.
E ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.
As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.
Cada cérebro é único.
Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África quer dizer "EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM".
Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA que é "ENTÃO EU EXISTO PRA VOCÊ".
Flávio Gikovate é médico psicoterapeuta, pioneiro da terapia sexual no Brasil.
Confira o programa "No Divã do Gikovate" que vai ao ar todos os domingos das 21h às 22h na Rádio CBN (Brasil), respondendo questões formuladas pelo telefone e por e-mail gikovate@cbn.com.br

sexta-feira, 19 de março de 2010

Simplicidade



O que é um amanhecer
Tão lindo de sol deslumbrante
Se ninguém tem tempo a perder
Nem mesmo um mero instante

De que adianta o mar
Com ondas que vêm e que vão
Se sempre devemos calar
As dores, a desilusão

A vida parece difícil
De ser entendida, explicada
Mas meu coração infantil
Não corre em busca de nada

De nada que não seja simples
Que venha preencher minha alma
Que me aproxime ao peito
Trazendo-me consolo e calma

quinta-feira, 18 de março de 2010

Palavras de um velho sábio

Nessa semana assisti ao filme " O curioso caso de Benjamin Button", muito interessante o fato de que o personagem passa duas vezes pela velhice. Primeiro fisicamente e depois mentalmente, chegando à senilidade embora sua aparência fosse a de um garoto de 05 anos.
Me emocionei em várias partes do filme mas algumas palavras me pareceram tão especiais que tomarei a liberdade de transcreve-las aqui.


"Nunca é tarde, ou cedo no meu caso, para ser quem você quer ser. Não há limite de tempo, comece quando quiser.
Mude ou continue sendo a mesma pessoa. Não há regras pra isso. Pode tirar o máximo proveito ou o mínimo, espero que tire o máximo.
Espero que veja coisas surpreendentes. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes.
Espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente.
Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe, e se não se orgulhar dela, espero que encontre forças para começar tudo de novo."

E eu, que vos escrevo com muita humildade, espero tudo isso para minha vida e para a vida daqueles que amo. Assistam o filme, acredito que valerá o tempo disposto.

terça-feira, 16 de março de 2010

O gosto da morte

 
Minha alma seca, a angústia é tanta que meus ossos saltam. Ossos de um corpo que insiste em esvair-se como se nada mais importasse e sumir fosse seu único objetivo.
Meu coração foi rasgado, tudo de bom que nele havia se perdeu e não há nada que nele possa entrar.
Minhas feridas secretam um misto de sangue e fel, substância negra, amarga que me sobe à boca e me traz a mente a sensação de que este é o sabor da morte.
Acreditei num anjo, mas atônita descobri a crueldade de tal criatura.
Sim, existem anjos da morte.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Roubei este texto de um amiguinho da net - Ricardo Bonilla - Hasta Que Vuelva A Amanecer - Público

 

prince
Mundos distintos
Sos de Venus, yo de Marte. Sos tierna, inocente, linda, inteligente, culta, pero eso no cambia el hecho de que somos incompatibles.

Nos gusta la misma música, disfrutamos cosas similares, pero hay cosas que no comprendo, que no entiendo sobre vos.

Tenés amigos diferentes a los míos, pensás distinto, todo te molesta, no ves lo maravillosa que es la vida, por más que digás que no es así, no cambia el hecho de que sí lo es.

Intenté amarte, de veras lo hice. Pero simplemente A veces el amor no es suficiente, por más que se quiera simplemente no alcanza. Pensé en obviar todo lo que nos hace diferentes pero no vale la pena. Me encantaría poder decir que sos mi rosa, la que te hace única en el mundo, sería una mentira, lastimosamente al final terminamos siendo de Mundos distintos y eso NUNCA va a cambiar.

Ser livre

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Essa poesia me foi dita por meu marido na primeira semana de namoro...

nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas

e. e. cummings


Nunca, nunca senti que havia alcançado um coração de forma tão profunda como senti nesse momento.
Tínhamos estacionado o carro numa praça e de repente enquanto conversávamos me disse que eu o lembrava de uma poesia que ele tinha visto num filme do Wood Allen.
Começou então a soltar as palavras da poesia como se as tivesse guardado, esperando a pessoa certa para dizê-las...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Têm dias que um colo um ombro é tudo de que preciso...

O ombro amigo chamado "prozac"

Sabe aquele momento em que as dores do mundo estão nas nossas costas? Pois é, hoje me senti assim. Chorei só mas não foi suficiente, precisava dividir com alguém.
Já me acostumei a ser incompreendida pelos mais próximos. Normalmente não vêm motivo pras minhas queixas muito menos pro meu choro, então tenho poucos a quem recorrer. Hoje aos prantos, tentei o colo mesmo que distante de alguém especial.A era digital nos aproxima e nos afasta ao mesmo tempo...
Internet, indisponível
Celular, caixa postal
MSN, sem resposta
Abri o armário e lá estava ele, sempre pronto, disponível e disposto, meu amigo que pra tê-lo basta uma receita médica.
Vinte minutos depois estava bem, mas não posso negar o vazio, a falta de ter alguém de verdade pra dividir o fardo.
Comprimidos não afagam, nem secam nossas lágrimas, mas ainda assim...basta abrir o armário.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Haiti castigado por Deus?

Hoje li algumas idéias de um blogueiro chamado Julio Severo sobre o terremoto no Haiti. Não bastasse ser esse um dos países mais pobres do mundo com 80% da população abaixo da linha da pobreza (isso antes do terremoto), os haitianos ainda devem carregar, segundo Julio Severo, o título de amaldiçoados por Deus, o que quer dizer que tudo o que lhes acontece é por culpa própria, ou melhor por culpa da religião vodu a qual seguem.
Intrigante é saber que desde 1492 o Haíti sofre intervenções de países cristãos.
Foi invadido pela Espanha, foi colônia da França durante 97 anos, e  mais recentemente teve seu território controlado pelos EUA.
O que houve durante esse tempo? Esses países esqueceram-se de cumprir a evangelização, prática das mais importantes dentro do cristianismo?
Se praticaram, o que aconteceu? O Espírito de Deus não foi capaz de convence-los de seus pecados e convertê-los de seus maus caminhos?
Essas questões históricas me afligem e me aflige ainda mais pensar que Deus colocou a "salvação" do Haiti em mãos tão incompetentes...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um pouquinho de clarice...

Ajudai-me, eu só tenho uma vida e essa vida escorre pelos meus dedos e encaminha-se para a morte serenamente e eu nada posso fazer e apenas assisto o meu esgotamento em cada minuto que passa, sou só no mundo, quem me quer não me conhece, quem me conhece me teme e eu sou pequena e pobre, não saberei que existi daqui a poucos anos, o que me resta para viver é pouco e o que me resta para viver no entanto continuará intocado e inútil, por que não te apiedas de mim?, que não sou nada, dai-me o que preciso, deus, dai-me o que preciso, e não sei o que seja , minha desolação é funda como um poço e eu não me engano diante de mim e das pessoas, vinde a mim na desgraça e a desgraça é hoje, a desgraça é sempre (...)


Clarice Lispector

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dá, dá...

Em um provérbio bíblico diz que a sangue suga teve duas filhas e seus nomes eram Dá e Dá.
É impressionante mas mesmo tendo apenas uma filha em períodos de férias passo o dia a beira do fogão, pia ou tanque, e pra piorar ouço o tempo todo dá, dá, dá.
Mãe me dá meu café, meu biquini minha toalha.
Mãe me dá um sabonete, uma roupa seca, um lanchinho.
Me dá outro biquini e outra toalha, quero voltar pra piscina.
Dá outra roupa seca e meu almoço.
E assim vai com tantas trocas de roupa e tantos lanchinhos no dia só mesmo fazendo um tour da pia pro fogão do fogão pro tanque, aff...
E chamam isso de férias.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Que mulher resiste...

O Amor

Pequena rosa
as vezes diminuta e nua
parece que numa mão minha cabes
que assim te vou fechar
e a ti levar á minha boca
Mas de repente
meus pés tocam teus pés
e minha boca teus labios
crescentes sobem teus ombros
como duas colinas
teus seios passeiam por meu peito
meu braço mal alcança
a delgada linha de lua nova
que tem tua cintura
No amor como água de mar te derramaste
meço somente os olhos mais extensos do céu
E me inclino à tua boca para beijar a terra
Pablo Neruda

domingo, 10 de janeiro de 2010

Pablo Neruda


Quem morre?

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda

sábado, 9 de janeiro de 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sobre mim

Tenho 35 anos, uma filha de 09 e 09 anos de casada, isso mesmo me casei faltando 04 meses para nascer Isabella minha filha.
Já fui mulher independente, dona de casa e mãe em tempo integral, também provei a jornada dupla.
Tem dias em que me sinto bela, atraente, em outros um lixo gordo e ignorante.
Acordo me achando a melhor mãe do mundo, durmo pensando que minha filha terá problemas psiquiátricos e a culpa é toda minha.
Tento ser amante ardente mas as vezes  acho que no máximo faço um favor ao meu marido.
Lua e sol, água e vinho, neurótica e normal...essa sou eu.

Ser livre

Ser livre é ter o pleno direito de ir, vir, se expressar e sobretudo viver com dignidade, sem que paire sobre nós a sombra da desconfiança.

Poesia de mulher...

Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
Cora Coralina